A calamidade pública da população de São Francisco de Assis do Piauí, onde não funcionava mais nenhum ponto de pagamento de pensões e outros benefícios, foi superada, graças a Deus. A Caixa Econômica Federal reativou o “Caixa-Aqui” de um supermercado, e tudo voltou ao normal.
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Padre Geraldo |
Outro caso calamitoso de grandes dimensões aflige a população urbana na sede do município. Não são apenas os pobres que não tem voz para ser ouvidos, mas todos os que construíram casas nos bairros novos de uma cidade em franca expansão. Trata-se do fornecimento de energia elétrica para centenas de residências. A última vez que a rede de baixa tensão foi ampliada foi no ano de 1998, ou seja, 16 anos atrás. Nesses longos anos surgiram residências, casas populares, oficinas, casas comerciais etc. Mas e rede da CEPISA/ELETROBRAS nunca foi ampliada. O resultado é uma enorme rede clandestina, usando postes de madeira, tirada do mato, fora de qualquer padrão de espessura ou comprimento, às vezes não passando de uma vara. Até o hospital recebe energia numa linha provisória, por uma distância de 200m do último poste oficial até o prédio. Contamos na área urbana 324 postes de madeira, ao lado de 168 postes oficiais de concreto. O fio usado nessas extensões privadas é o rígido revestido de bitola 10 ou 6. Sua baixa capacidade gera uma perda da voltagem que aumenta na proporção da distância do poste oficial, muitas vezes chegando a mais de 200 metros.
Há muito tempo a cidade espera por uma ampliação da rede de baixa tensão na área urbana. A CEPISA/ELETROBRAS nunca prometeu nem atendeu às repetidas solicitações da prefeitura. Os projetos já elaborados terminam nas gavetas e no arquivo morto da empresa. Não se permite para as ligações clandestinas o uso de fio torcido de alumínio. Mas não tem o menor problema para a empresa a instalação de medidores nas barracas mais miseráveis e a cobrança de taxas para condições normais, enquanto não gasta nada pela extensão e manutenção de uma rede distribuidora normal, deixando a energia desviada numa tensão de 30 % abaixo da normalidade. A ELETROBRAS não permite, nem promete, nem planeja – só cobra e corta. Seria o caso de solicitar um mandado de segurança.
O assunto fica totalmente fora das considerações que os candidatos políticos tocam na sua propaganda eleitoral. Em meio ao “tiroteio” de uma ladainha de promessas sobre educação, saúde e segurança não aparecem projetos de eletrificação dos bairros duma cidade onde os postes clandestinos superam os da rede oficial em 100%. Os alto-falantes de propaganda polítia bradam as promessas de “trabalhar pelos carentes” enquanto esses carentes não têm como gritar a dor da sua carência.
A opção preferencial pelos pobres, ensinada nos evangelhos de Jesus, inspira este depoimento. Mas ainda falta muito para ser também a opção preferencial dos candidatos, gestores e governantes. Enquanto isso, a desproporção entre a rede de energia oficial e a rede clandestina de São Francisco de Assis é uma verdadeira CALAMIDADE PÚBLICA.
Pe. Geraldo Gereon, pároco de São Francisco de Assis
18 de setembro de 2014
18 de setembro de 2014
NOTA
A mazela descrita no texto do Padre Sertanista é comum em todas as cidades em nossa região do mesmo porte de São Francisco de Assis do Piauí.
A mazela descrita no texto do Padre Sertanista é comum em todas as cidades em nossa região do mesmo porte de São Francisco de Assis do Piauí.
Fonte: Portalsãojoaoense
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